Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

Cultura do estupro: o que é, como se faz?


Todos os dias, em qualquer lugar do mundo, mulheres são estupradas por homens. Por homens, mulheres são estupradas por homens, não por monstros, zumbis, ETs, demônios... mas por homens, homens que, em massa, não são "doentes''/"doentes mentais", mas filhos sadios do patriarcado. Eu repito: todos os dias acontecem estupros. Estupros. Estupros coletivos... Como se não bastasse isso, ainda vemos estupros sendo romantizados em novelas, séries, músicas, livros... Mulheres sendo culpabilizadas pela violência sexual sofrida sob a justificativa injustificável relacionada ao tamanho de suas roupas, ao horário em que estavam "fora de casa" (como se dentro de casa também não acontecessem estupros por parte de pais, irmãos, tios, amigos, vizinhos...) e, ainda, estupradores sendo absorvidos social e /ou judicialmente após terem violentado mulheres de diversas formas, da ejaculação no transporte coletivo ao abuso sexual numa festa universitária.

Todo esse quadro de violência contra a mulher que eu mencionei acima constitui a cultura do estupro, entendida aqui como um conjunto de ideologias e/ou atitudes misóginas e machistas veiculadas em discursos e/ou produções culturais que naturalizam, romantizam, legitimam e sustentam toda e qualquer forma de violência sexual contra as mulheres. Deixo claro que estou dando ênfase na figura feminina porque ela é a principal vítima, não porque desconsidero que existem homens que foram e são estuprados, mas, porque, minha análise, nesse texto, é estrutural. 

Para entendermos a cultura do estupro, isto é, "como ela se faz", precisamos entender o que é o patriarcado, o qual consiste no sistema social, cultural, político e econômico de dominação-exploração-subordinação das mulheres pelos machos. Enquanto sistema, o patriarcado se sustenta através do pacto masculino pelo lugar de poder e privilégio dos machos em sociedade. Nessa esfera, se exerce o controle dos machos sobre a vida, o corpo, os desejos... das mulheres, tal controle se manifesta em várias atitudes masculinas abusivas/machistas/misóginas, como, por exemplo, nos atos de violência sexual. Estupro é, dessa forma, sobre relações de poder, não sobre desejo sexual ou doença mental, mas, sim, sobre o controle que os homens acham que podem, a todo custo, exercer sobre as mulheres, não se importando com seus nãos e violando seus corpos, indispostos a se entregarem para eles.  

O machismo e a misoginia, pilares do patriarcado, fornecem mecanismos ideológicos que, atuantes em discursos e outras práticas sociais, contribuem para a objetificação e hiperssexualização do corpo das mulheres de tal forma que homens abusivos usam como desculpa "roupa curta é convite" quando tentam se justificar do porquê de terem assediado ou abusado de alguma mulher, mesmo ela tendo claro que não queria a investida sexual dele. É algo tão naturalizado culturalmente que muitas mulheres aceitam e reproduzem a ideologia por trás desse discurso machista e misógino.


Outro discurso machista muito naturalizado em sociedade e que corrobora a cultura do estupro é o de que a mulher deve transar com seu parceiro mesmo sem vontade, isto é, deve se submeter a estupros conjugais para agradar o macho, afinal "se você não faz sexo com seu homem, outra fará". Ideia essa problemática e falaciosa, pois se por um lado sexo disponível não é indicador de fidelidade, por outro nenhuma mulher deve ser tratada como boneca inflável, um mero objeto sexual, sem vida, desejos e sentimentos próprios. Sexo é troca, é ato reciproco e deve sempre ser consentido, caso contrário o ato consistirá em abuso sexual. 

A indústria pornográfica que cria modelos de mulheres-objetos de uso masculino em seus filmes e produtos sexuais como, por exemplo, as famosas "robôs sexuais", as "piadas" (pseudopiadas, pois estupro jamais será motivo de piada) misóginas sobre abuso sexual ("estuprar não, é crime" - uso da vírgula indiscriminada no contexto para efeito de humor), as músicas de massas que reproduzem ideias como "taca cachaça que ela libera", "vou abusar bem dessa mina toma/toma pica tranquilinha", as novelas, filmes, livros... que romantizam cenas de estupro, os comerciais que usam o corpo feminino como objeto associado a compra de um produto x (compre uma cerveja que uma mulher "gostosa" e seminua está incluída no pacote) ou y, os discursos machistas que questionam as vítimas de estupros (onde estavam? que roupa usavam? se beberam álcool? se conheciam o estuprador?...) e camuflam o ato dos agressores e a verdadeira causa do estupro: os estupradores. 

Gostaria de chamar atenção especial para esse fato de culpabilização da vítima, pois ele consiste em um forte mecanismo de sustentação da cultura do estupro. Já perceberam como em notícias sobre casos de estupros sempre tem gente tentando tirar a culpa do estuprador e a relacionar à vítima? Sempre aparecem pessoas dos quintos dos asfaltos dos infernos para tentar justificar os estupros e apontar meios-termos para tirar as atenções dos abusadores e abrir espaço para questionamentos acerca da vida das vítimas. 

  • Um homem estupra e mata um bebê de 2 anos: vamos esquecer esse estuprador e focar na mãe da criança, essa "vagabunda" que colocou um estuprador em casa, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. 
  • Um homem estupra a própria filha, uma criança: vamos esquecer esse estuprador e focar na mãe da criança, essa "vagabunda" que casou com um estuprador e teve filha com ele só para ser abusada, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. 
  • Um homem estupra a namorada: vamos esquecer esse estuprador e focar na moça que namora e deu confiança pra qualquer um, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. 
  • Um homem estupra a esposa: vamos esquecer esse estuprador e focar nessa mulher que queria negar sexo ao marido conhecendo a personalidade dele, quem mandou casar com qualquer um, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. 
  • Um homem estupra uma colega de universidade numa calourada: vamos esquecer esse estuprador e focar nessa estudante de roupa curta até altas horas em festinhas com homens, quem mandou dar confiança ao colega, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. 
  • Um homem estupra uma mulher bêbada numa festa: vamos esquecer esse estuprador e focar nessa vagabunda bêbada, ela estava pedindo, afinal se bebeu com homem é porque quer dar, não liga para o que ele seja, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. 
  • Um homem estupra uma funcionária sua: vamos esquecer esse estuprador e focar nessa mulher que escolheu trabalhar pra qualquer um, afinal estuprador vem com selo de violador na cara. Um homem estupra uma mulher na rua: vamos esquecer esse estuprador e focar nessa mulher, afinal como ela anda desacompanhada e passa perto de um homem sabendo que estuprador vem com selo de violador na cara. 

Somente no Brasil, pesquisas recentes apontam que a cada 11 minutos uma mulher estuprada, ou melhor, que um caso de estupro é registrado. Olhe a hora em seu relógio nesse exato momento de leitura desse texto e imagine: daqui a 11 minutos pelo menos uma mulher será vitima de estupro no Brasil. Olhe quantos 11 minutos couberam no dia que já se passou, na semana, no mês... é alarmante o número de mulheres violadas, de mulheres que tiveram seus corpos objetificados e seus nãos desrespeitados. É tão alarmante que ainda terá quem dirá "doentes". Outro dado disponível em pesquisas e notícias na internet é que no Brasil no último ano foram registrados cerca de 10 estupros coletivos por dia. Essa é a prova de que estupradores não são doentes, afinal que doença é essa que atinge em massa homens que abusam de mulheres num mesmo lugar? Que doença é essa que praticamente só atinge grupos de homens em uma rua, bar, festa, casa... num lugar qualquer... e os condicionam a estuprar uma mulher? Não é doença. É misoginia. É machismo. É demonstração do poder do macho... do poder do mais forte (fisicamente) pelo mais fraco.


Lizandra Souza.

Homens abusivos (cuidado!): 10 atitudes machistas em relacionamentos que muitas vezes são disfarçadas de "simples opinião"



Cuidado com...

1. Homens que reduzem você a um corpo perfeito segundo o padrão de beleza vigente e esperam que você seja uma boneca inflável, irreal e inumana.

2. Homens que pensem que você não tem o direito de sair para se divertir, pois isso a torna "baladeira" que, em sentido pejorativo, é "mulher sem valor", "rodada". 

3. Homens que desejem que você seja submissa e aceite calada a violência que você sofre, pois ser feminista é "mesmo sofrida, jamais se calar". 

4. Homens que querem que você não beba nem fume porque "isso não é coisa de mulher", mas eles podem encher a cara. 

5. Homens que censurem sua liberdade de fazer o que você quiser com seu corpo. 

6. Homens que achem que você só por ser mulher deve ter obrigação de saber cozinhar (para eles, claro, te fazerem de empregada sem remuneração). 

7. Homens que fiscalizem os grupos de FB que você participa. 8. Reprimem o fato de você gostar de carnaval, como se isso tirasse seu respeito (mas que eles adoram ver mulher pelada no carnaval aaaa adoram!). 

9. Homens que achem que você só por ser mulher deve ter obrigação de lavar a louça (inclusive a deles, claro, porque você deve ser também suas empregadas sem remuneração). 

10. Homens que achem que você só por ser mulher deve ter obrigação de lavar as cuecas freadas deles, porque você será sua empregada sem remuneração. Cada vez mais vejo que machos héteros não gostam de mulheres, mas da dominação-exploração que exercem sobre elas, de bonecas infláveis e escravas do lar, opsss rainhas "belas, recatadas e do lar".


Lizandra Souza.

Por que perguntam se bissexuais existem?


É uma dificuldade tão grande de as pessoas respeitarem aquilo que foge da hétero-normatividade que até quem já foge do sistema acaba que por reproduzindo preconceitos contra quem também foge. Exemplo clássico disso são gays e lésbicas que ficam deslegitimando bissexuais e apagando a existência da bifobia com esse questionamento que não morre "bifobia existe?''. 

A própria pergunta "bifobia existe?" já é uma atitude bifóbica e SONSA, pois por trás dela há a negação e/ou questionamento da validade da bissexualidade enquanto sexualidade que foge da héteronorma. Todos aqueles que fogem da héteronorma sofrem com discriminação: gays, lésbicas, bis, pans, aces, etc. A discriminação não vem da homofobia, como se tudo fosse homofobia, mas da normatividade heterossexual que causa homofobia, bifobia, panfobia, acefobia etc. 

Perguntar se bifobia existe equivale a perguntar se bissexuais existem. Por que perguntam se bissexuais existem? Pergunta inócua feita por gente dissimulada que já há muito sabe a resposta, mas não quer aceitá-la.

Por que perguntam se bissexuais existem?
Porque são bifóbicos!

Lizandra Souza.

Seu feminismo incomoda?


Amiga, seu feminismo incomoda? 
Já te fez perder amizades? 
Já te transformou na chata do role?
Já te criminalizou? 
Já fez com que sua família ficasse contra você? 
Já fez as pessoas te olharem torto? 
Já te fez chorar? 
Já te fez pensar em desistir porque tudo é muito difícil? 
Já te fez se sentir sozinha? 
Já te desgastou psicologicamente e emocionalmente? 
Já te tirou da sua zona de conforto? 
Já te fez brigar com aquela pessoa querida numa tentativa de desconstruí-la? 
Já te fez acreditar que apesar de tudo, amanhã há de ser outro dia? 

AMIGA SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ INDO NO CAMINHO CERTO E QUE NÃO ESTÁ SOZINHA!!! 

Feminismo é luta, é dor, é resistência! Feminismo que não incomoda não é feminismo, é hegemonia vestida de revolução hippie paz e amor. Feminismo bonitinho, quietinho no seu cantinho é só uma nova roupagem do sistema. Isso não significa que você deva viver se desgastando psicologicamente, significa que defender nossos ideais não é fácil e que apesar de tudo não estamos sós! 


Lizandra Souza.

O crime de ser... mulher!


Eu tinha uns sete anos quando eu fui comprar um pela primeira vez. Fui a um mercadinho perto da minha casa, alguma coisa me dizia que lá eu poderia encontrar... olhei para o atendente e perguntei onde eu podia conseguir um. Ele arregalou os olhos, engoliu a saliva com força pela garganta, ficou branco, foi no outro mundo, voltou do outro mundo, suspirou como na dúvida se me dizia ou não... até que sua colega, do caixa, me chamou para perto... mais perto, mais ainda, e então falou baixinho, guaguejando: bebebem ali, no final da praprapraaatilheira no fim do corrrererereedor dodor... Fui, peguei aquela droga, paguei. Ela fez questão de empacotá-la numa folha de jornal para depois colocá-la dentro da sacola, a mais escura que tinha no mercadinho. Ninguém na rua podia me ver andando com aquilo pelo dia. Uma calamidade cearense. 
Em casa, mãe achou ruim ter que desempacotar seu pacote de absorventes duas vezes seguidas.

Lizandra Souza.

Psssiiiuuu, mana... Você merece mais que esse relacionamento abusivo!


É machismo quando o homem ilude a mulher, quando mantém uma relação indefinível e inconstante com ela, quando a manipula psicologicamente com o discurso de que não consegue ser fiel, mas que "a ama de verdade, porém não consegue resistir a tentação das outras que vão atrás dele", pois "ainda não é maduro o suficiente" e as "outras" são muito insistentes, colocando a culpa do maucaratismo dele em outras mulheres que, independente de "artifícios de seduções", jamais conseguiriam nada com ele se ele não quisesse.

Mulheres, não se deixem enganar pelo discurso androcêntrico que diz que "você pode ter sido feita de maior trouxa do mundo pelo seu (ex)parceiro, mas se ele procura você depois de ter ficado com todas as "putas", é porque nenhuma supera você". Isso não é vantagem, não é elogio, não é sadio. E a puta nada mais é que o macho escroto que fica usando mulheres, as iludindo e abandonando depois de ter conseguido o que queria.

E se nenhuma outra supera você no contexto desse discurso, não é na mulheridade, mas na ''trouxice'' mesmo, na falta de amor próprio ou na inconsciência causada por uma relação abusiva por causa do maucaratismo de um macho tóxico, babaca e promiscuo que não respeita você. Reciprocidade, respeito, valorização, paixão, amor, carinho, presença... só são sentimentos e atitudes verdadeiras quando são demonstradas sistematicamente, não de forma circunstancial, quando o macho depois de ter sido abusivo com você, ter te enganado e abandonado (essa a única coisa boa que fez por você), cansa de vagabundagem e volta para sua vida para iludir você como se nada tivesse acontecido, como se seu orgulho e dignidade não existissem e seu amor próprio não importasse de porra nenhuma. 

Se libertem de sentimentos e relacionamentos vazios. Não se deixem enganar por esses discursos que dizem que "ninguém mais além dele vai querer você", ''você precisa de alguém para se sentir completa e feliz", "estar sozinha é o pior", "todo mundo precisa da metade da laranja", "mulher quando é boa muda o homem" etc. TUDO ISSO É BABAQUICE. Você é uma "laranja" completa, não precisa que ninguém a complete. No máximo, alguém que te chupe bem e te transborde. Se não é pra ser transbordada em positividade, se não é pela sua felicidade, se somente te traz dor, não vale a pena. Chuta que é omice! ''Solidão'' não é ruim quando você se sente bem consigo mesma. Essa ideia de que é "pior ficar sozinha" ajuda bastante a manter mulheres em relacionamentos abusivos. E é sempre bom lembrar que MULHER NENHUMA TEM OBRIGAÇÃO DE MUDAR MACHO ESCROTO QUE A USA, A ABUSA, A FAZ SOFRER... TEM MAIS É QUE DAR UM PÉ NA BUNDA DO INFELIZ. 

Se você não se ama e não se "valoriza", vai ser difícil encontrar quem faça isso por você. Dos amores que vão e vêm, somente um vale a pena sempre insistir: o próprio. 

Lizandra Souza.

Setembro Amarelo: mês de prevenção ao suicídio!


"Setembro Amarelo" é o nome dado à campanha de prevenção ao suicídio! Setembro foi escolhido porque no dia 10 desse mês foi instituído o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O objetivo da causa é alertar às pessoas a respeito da importância de se falar sobre suicídio, para, assim, combatê-lo, considerando que ele é um "mal silencioso", por ainda ser um tabu social.

Precisamos falar de suicídio. 
Precisamos falar também de depressão, pânico, ansiedade, bipolaridade e de transtornos psicológicos gerais que podem levar uma pessoa a se suicidar, entre outros fatores. 
Precisamos falar de tudo isso. Mas forma empática e sensível, não com julgamentos moralistas e religiosos, os quais banalizam algo tão sério: o fato de uma pessoa não aguentar mais viver, não suportar mais estar viva e ter que se matar para findar a dor de existir. 

Legal esse discurso que diz "me procure para conversar quando precisar", mas quando a pessoa procura tem que ouvir que o que ela está sentindo é ''frescura'', ''falta de deus'', ''falta de trabalho/do que fazer'', ''falta de sexo'' etc, discursos que em nada ajudam pessoas depressivas, pelo contrário, só as colocam mais para baixo. Nem sempre só desabafar ajuda, muitas vezes o que ajuda é uma palavra amiga, de conforto, ajuda e força. 

Quantas de nós oferecemos ajuda real aquele amigo com depressão? Quantas de nós já dedicamos um pouco do nosso tempo para abraçar aquela amiga após ela chorar por seus traumas? Quantas de nós compreendemos as oscilações de temperamento daquele amigo com pânico, bipolaridade...? Quantas de nós aconselhamos aquela amiga a procurar ajuda profissional e a não sofrer calada e só? Quantas de nós acompanhamos ela? Seguramos sua mão de verdade em qualquer momento? 

Quantas de nós já não achamos que nossos amigos acharam frescura aquela crise de ansiedade que tivemos? Quantas de nós já nos envergonhamos quando riram de momentos de crises de pânico públicas que tivemos? Quantas de nós já nos sentimos inúteis quando o dia chega e a vontade de ficar na cama permanece não por ''pura preguiça'', mas por não sentir vontade de levantar e encarar nossa realidade? Não querer sair, não querer se relacionar, não conseguir comer, tomar banho, estudar... porque seu peito dói, seu corpo está cansado, sua mente bagunçada, sua respiração falha... e você não vê sentido em nada, pra que estudar, trabalhar, viver se você não consegue ser feliz, se dói existir? Se tudo que você queria era dormir e não acordar mais ou sonhar para sempre? Esquecer a ansiedade, o descontentamento, a sensação de apatia, o tédio e tristeza constantes, a fadiga, o desinteresse no fazer as coisas... 

Mas para muita gente depressão é frescura, depressivos só quererem chamar atenção... Quando chamar atenção é o que a pessoa menos quer em seu isolamento. Depois de tanto se isolar e se machucar, a saída que a pessoa encontra é o fim. O fim de uma vida que poderia até ter sido vivida e não foi porque a ela não foram dadas outras saídas. Saídas que existem e que a pessoa precisa enxergar. As vezes ela só precisa que mais alguém enxergue com ela ou quem sabe segure sua mão durante o caminho percorrido... a saída não precisa ser o fim, o melhor é que seja um recomeço!

Lembrando que...
Não adianta dizer não ao suicídio, participar de campanhas como "Setembro amarelo" e ser uma pessoa abusiva. 
Não adianta dizer não ao suicídio e discriminar as pessoas por questões de gênero, etnia, sexualidade, estética. 
Não adianta dizer não ao suicídio e demonizar pessoas com transtornos psicológicos. 
Não adianta dizer não ao suicídio e achar que depressão é frescura. Não adianta dizer não ao suicídio e achar que pânico é falta de Deus, fé, religião qualquer. 
Não adianta dizer não ao suicídio e achar que bipolaridade é "falta de sexo". 
Não adianta dizer não ao suicídio e viver colocando as pessoas ao seu redor para baixo. 
Não adianta dizer não ao suicídio e, por exemplo, indiretamente dar uma corda para alguém se enforcar.

Não esperem alguém próximo tirar a própria vida para resolverem falar sobre!


Lizandra Souza.

Falocentrismo, misoginia e a ditadura da beleza íntima: normatividades que fazem com que mulheres se odeiem cada vez mais

Beijinho só para quem não agride a ppk.

Já pararam para pensar sobre o porquê de tantas mulheres passarem por procedimentos desagradáveis, cruéis e até mesmo perigosos  para se enquadrarem em determinados padrões ou esteriótipos de beleza que, em geral, acreditam ser para o próprio bem-estar ou "gosto pessoal" mas que, na verdade, mascaram um gosto assimilado por uma cultura misógina e falocêntrica?

Falocentrismo é o culto ao falo, é a ideia machista de que o pênis é o centro do universo e tudo gira ao redor dele. Culturalmente, a figura masculina cisgênera representa o sujeito do falo, sujeito esse super-estimado socialmente. Aliado ao machismo, o falocentrismo é tão destrutivo que sustenta práticas culturais misóginas que fazem as mulheres odiarem o próprio corpo, até mesmo a própria genitália, pois há um padrão que essa deve seguir, padrão esse criado para o gosto masculino e reproduzido, sobretudo, pela indústria pornográfica: a ideia de uma vagina branca, clara, rosa, apertada, simétrica, lisa/depilada com cheiro de flores e sabor de frutas tropicais. 

Para entrar nesse padrão irreal as mulheres cada vez mais fazem práticas destrutivas que fazem mal a sua saúde íntima. Quando a gente pensa que está avançando o debate sobre padrões estéticos, sobre opressão estética, sobre a normatividade de um corpo feminino ideal: corpo cis, magro, branco, alto... A cultura misógina ratifica até mesmo um ideal de genitália para as mulheres seguirem. É absurdo! 

Sabonetes íntimos de frutas alteram o PH vaginal, não deixam sua buceta com sabor de manga, mas suscetível a infecções, bactérias, alergias e corrimentos anormais. Perfumes íntimos de flores alteram o PH vaginal, não deixam sua buceta com cheiro de cerejeira, mas suscetível a infecções, bactérias, alergias e corrimentos anormais. Maquiagem para a região íntima, com direito a iluminador e tudo, o que provavelmente altera seu PH vaginal... Cirurgias de simetrização da região íntima para meninas ainda virgens. Plásticas para a buceta. Depilação a laser, cera quente, fio... Depilação constante, o que deixa a pele da sua região íntima sensível, exposta e vulnerável a infecções, bactérias, alergias e corrimentos anormais... Todo dia um produto ou método diferente de transformar vaginas em buracos infláveis de bonecas sexuais.

Depois dos perfumes e sabonetes sabor frutas tropicais para as ppks, do ''iluminador para a vagina'', considerado o ''novo hit de beleza'' do momento, eu fiquei sabendo do incentivo de uso de pasta de dente, em grupos no facebook, na vagina, para a depilação, pois o creme dental supostamente deixa a vagina lisinha, refrescante e com sabor de menta, hortelã... muitas mulheres postaram sobre (supostamente) terem feito isso e, claro, mencionando a satisfação de seus parceiros ao se depararem com uma buceta ''lisinha e de menta''. Várias páginas de humor passaram a postar sobre, fazendo piadas e incentivos para o público feminino fazer a prática. Eu estou morta ao som de sweet dreams! 

Fui chamada de ditadora feminista, fiscal de ppk e o diabo a4 no FB porque fiz um alerta para as minas não machucarem a ppk nem passarem vergonha fazendo isso. Século XXI e a gente tem que explicar para as mulheres o porquê de fazer mal a saúde íntima usar pasta de dente na vagina. Até produtos voltados para a região íntima, muitas vezes, como foi dito antes, não fazem bem porque alteram o PH vaginal e deixam essa região mais vulnerável a bactérias, infecções, corrimentos anormais, alergias etc, imaginem um produto corrosivo voltado para a limpeza de bactérias bucais!!!??? Minas, colaborem pela deusa!!! Se disserem que veneno de rato deixa a buceta mais clara, apertada, lisa, com cheiro de flores e sabor de manga, vocês vão usar? Infelizmente a falta de dignidade e amor próprio em função de agradar macho é tanta que eu não duvido.

Se por um lado, amiga, pasta de dente na ppk faz mal a sua saúde íntima, é uma substância corrosiva, que pode lhe causar queimaduras íntimas ou deixar essa região mais vulnerável a bactérias, infecções, corrimentos anormais, futuros pelos encravados etc, por outro também, mas, se liga, eu não vou estar lá quando você for escovar sua buceta, para impedir que isso aconteça, então se você está seguindo uma ''ditadura'', sinto dizer que não foi implantada por mim, mas pelo patriarcado.

Desde que postei o alerta no meu perfil no FB, recebi fotos e relatos de meninas que fizeram depilação com pasta de dente e o resultado foi horrível. A pele queimada, cheia de bolhas e descascada... cheia de vermelhidão pela irritação e tudo de pior! Algumas precisaram procurar um(a) ginecologista porque a queimadura foi grave. Isso não é legal, não é bem-feito, não é risível. É triste. É absurdo. É misoginia. É um ódio tão internalizado pelo próprio corpo que faz com que as mulheres fiquem cegas diante de práticas literalmente corrosivas em nome de um padrão a ser seguido.

O Brasil é líder na procura por cirurgias íntimas de meninas ainda virgens que buscam estetizar a região íntima para enquadrá-la num padrão de beleza misógino, legitimado pela indústria pornográfica. Cada vez mais meninas e mulheres odeiam a região íntima e tudo por conta de um padrão misógino que as fazem ter vergonha do próprio corpo, da própria genitália. Incentivam-nas a não se aceitarem e a não reconhecerem as próprias peculiaridades como naturais. Inventam cor de buceta a ser exaltada, cheiro, gosto, tamanho, formato, o diabo a4, somente pelo fato de que odeiam mulheres, odeiam tanto que querem anulá-las em suas identidades, diversidades, peculiaridades... e reduzi-las a um mero objeto sexual, a um mero ''buraco'' de uso masculino. 

Imagem: Reprodução Instagram/The vulva Gallery

A sociedade não espera que sejamos mulheres, com características de mulheres adultas, mas bonecas infláveis ou ideais de consumos pornográficos. Se existem diferentes mulheres, com tamanhos, cores, características variadas, existem também diferentes tipos de vaginas, com diversos tamanhos, cores, formas, texturas... É algo natural, normal. Não aceitem que suas peculiaridades sejam vistas como imperfeições. 

Já pararam para pensar como pelos e características naturais no corpo das mulheres são vistas como coisas ofensivas? Mulheres adultas têm pelos. Suam. Têm odores. Uma vagina não é uma manga (e quem gosta de manga não liga para fiapo), logo ela não precisa ter o sabor de uma. Higiene é lavagem diária, um sabonete neutro na parte externa, não depilação. Depilação é estética e você tem todo o direito de fazer, mas é sempre bom estar consciente de que dependendo da forma que você faz, ela pode lhe machucar. Creme dental na depilação? Jamais, okay? Depilação total e/ou constante também não fazem bem a saúde íntima. Esses sabonetes e produtos íntimos que supostamente dão um cheiro, sabor ou ''formato'' na sua vagina também não prestam, eles alteram seu PH e vulnerabilizam sua genitália, a deixando mais suscetível a doenças infecciosas. A vagina possui auto-lubrificante, ela faz com que o canal vaginal se auto-limpe sozinho, em geral, não precisa que você insira produtos químicos lá. Água na parte interna, água e sabonete neutro na parte externa. Se cuide sem exageros que possam lhe fazer mal!!! Se ame! 

Lizandra Souza.

Gays podem ser machistas/misóginos?

"Piada" gay machista e misógina.
Ser gay (afeminado ou não) não isenta nenhum macho de ser misógino, a prova disso é quantidade absurda de homossexuais (cis) masculinos destilando misoginia contra nós, mulheres, estigmatizando nossos corpos, sobretudo com aquele discurso falocêntrico pautado em estigmatizar a vagina como algo nojento, execrável, feio e digno de pavor (enquanto o falo é o centro do universo) e, ainda, reduzindo nossa identidade, vivência e mulheridade com esteriótipos sociais de feminilidade que, por exemplo, reduzem as mulheres a seres com maquiagem, salto alto e roupas consideradas femininas. 

Esses dias vi num grupo um post de um gay (cis) que dizia: 

Sou tão gay que, quando nasci, os médicos tiveram que fazer uma cesariana, pois jamais passaria perto daquilo (vagina). 

Os comentários eram tão deploráveis quanto o post. Entre eles menciono os que diziam que "Bicha burra nasce mulher" e "Quem gosta de buceta é lésbica, macho gosta de buraco", só para vocês terem uma ideia da misoginia dos discursos proferidos como "piadas". Diante disso, deixo um recadinhos para os amiguinhos:

Ser gay afeminado e usar pronome feminino não te faz ser mulher e ter nossa experiência de mundo (seja a vivência de uma mulher cis ou trans). Muito menos, te dá o direito de nos marginalizar com discursos misóginos acerca do nosso corpo. Reitero, ser gay afeminado não te faz ser mulher. Logo, não te isenta de ser misógino nem te dá aval para falar mal do corpo das mulheres ou criar rivalidade entre elas. 

Estigmatizar vaginas e/ou reduzir mulheres a elas é, além de misoginia, transfobia contra homens trans (os quais podem ser gays também). No mais, você usa pronome feminino por que acha bonitinho e/ou por que quer afrontar? Ou só para banalizar a mulheridade e reduzi-la a performatividade de gênero feminina? Pode revolucionar e divar a vontade performando feminilidade, inclusive isso ajuda muito a desconstruir esteriótipos de gênero, agora achar que essa performatividade te dá aval para ser misógino é erro rude!!! 

Gênero, identidade de gênero e performatividade de gênero NÃO são a mesma coisa, muito menos equivalem a orientação sexual.

Lizandra Souza.

Atividade de casa não é ''coisa de mulher'': trabalho doméstico a gente faz com as mãos, não com a genitália


Toda vez que eu escuto que ''Homem não foi feito para atividades de casa'' e que "Trabalho doméstico é coisa mulher'' eu imagino a seguinte cena: a mulher pede ao marido para ajudá-la nos afazeres domésticos, ele então tira a roupa e sai lavando a louça com o pinto, varrendo a casa com o pinto, cozinhando com o pinto e tirando o lixo com o pinto. De tanto usar o pinto, ele fica sem, então ela percebe que ele não foi feito para atividades de casa e volta a fazer tudo sozinha com sua buceta. E segue ela lavando a louça com a buceta, varrendo a casa com a buceta, cozinhando com a buceta... ao contrário do companheiro, a genitália dela milagrosamente não cai, talvez por não ser frágil ou pendurada. Vai saber.

Só queria que esse último semestre de 1666 acabasse logo. Mas enquanto ele não tem fim, vamos refletir. E vamos tirar um pouquinho do nosso tempo para fazer os outros ao nosso redor refletirem também sobre esses papéis sexistas e machistas ainda tão cristalizados e que não fazem mais sentido de ser atualmente. Não vamos mais ignorar discursos assim, nem práticas assim em nossas casas. 

Meninas devem aprender a cozinhar não pensando em casamentos, mas no fato de que um dia elas mesmas precisarão fazer a própria alimentação, o mesmo para os meninos. Já imaginou que loucura o garoto crescer e não saber fritar um ovo, fazer um café, lavar uma louça? Ficar sempre esperando que uma mulher lhe entregue tudo nas mãos, dessa forma, quando chegar a hora de casar, se ele quiser casar, ele procurará uma empregada, não uma esposa. Aliás, nos criam exatamente para isso: para sermos empregadas de machos. O menino vai jogar bola enquanto a menina faz a refeição com a mãe, após o almoço o menino vai assistir TV com o pai enquanto a menina tira a mesa com a mãe e a ajuda enxaguando os pratos. O mesmo na janta. O mesmo no café da manhã. Um dia a mãe falta, quem será a responsável pela casa? A menina, a mulher. Ele tem mais tempo para se divertir, para estudar, ela não. Mas todos comem. Todos precisam de roupas limpas. Todos gostam de uma casa bem cuidada. E todos podem ter tarefas semelhantes ou adequadas a sua idade e ocupação.

Atividades de casa não é ''coisa de mulher'': trabalho doméstico a gente faz com as mãos, não com a buceta. Atividades de casa é coisa de quem mora na casa, a obrigação deve ser de todos. E não se trata de ajuda em si, mas de divisão. Assim como cuidar dos filhos. Quem tem a obrigação é quem fez, ou seja, ambos os companheiros, não só a mulher. A ética, o caráter, a sensibilidade, a empatia, a educação, é dever dos pais, não só da mãe. E tais valores devem ser igualitários para ambos os gêneros. Nada de ensinar as meninas a ''se preservarem'' e aos meninos que eles são como ''bodes que perseguem as cabritas'' ("prendam suas cabritas que meu bode está solto"). Animalizam até a sexualidade dos machos. É ridículo isso. É ridículo também incentivar carreeiras dispares aos filhos com intenções sexistas baseadas em papéis de gênero estereotipados do tipo meninos são mais racionais, devem seguir careiras mais contempladas pelas ciências exatas, já asa meninas são mais subjetivas, emocionais, são mais adequadas a seguirem careiras moldadas pelas humanas... E depois reclamam da falta de mulheres na matemática, física, etc.

É de casa que essa prática sexista machista tem que mudar, é na educação dada as crianças. Meninas e meninos desde cedo têm que aprender a viverem em harmonia e equidade, para assim socialmente seus comportamentos não serem tão desiguais.


Lizandra Souza.

Estágios gerais da violência simbólica, verbal e psicológica contra a mulher



A violência contra a mulher não se constitui apenas da agressão física e/ou sexual, ela não se configura somente nos estupros, assassinatos e espancamentos, mas também existe em nível simbólico, psicológico e verbal/linguístico/discursivo. 

O patriarcado exige de nós passividade, docilidade, abnegação e sujeição. Pois todos esses "atributos" fazem com que nós não possamos reagir com força total contra o domínio que os machos exercem sobre nós, sobre nossos corpos, sobre nossas vidas, sobre nossas vontades! Aí reside o silenciamento feminino. 

O que é o silenciamento feminino? É justamente tirar a voz da mulher, é invisibilizar seu discurso, é lhe negar o direito ao grito. Mulher não pode falar palavrão, porque palavrão em boca de mulher é feio. Mas macho pode demonstrar insatisfação ou raiva e praguejar a vontade! Mulher que grita é histérica, falta rola para ela, mas macho gritando é sinal de virilidade, masculinidade, macheza! Machos brabos! Durões! Mulher irônica, sarcástica ou debochada é louca, exagerada. Macho que usa de ironia é um fiel seguir machadiano, intelectualizado. 

A expressão linguística sexista dos machos e, infelizmente, de muitas mulheres, reforça esse patrulhamento e censura verbal-discursiva da fala da mulher. É visto como um ato normal um macho interromper a fala de uma mulher, se apropriar da ideia dela ou distorcer sua fala, tudo para fazê-la perder o equilíbrio mental e passar por louca e/ou exagerada quando ela decidir refutá-lo ou cagar para a tentativa de silenciamento dele. 

Quando a mulher toma consciência dessa patrulha e censura verbal-discursiva e decide romper esse sistema linguístico que privilegia os machos, ela é chamada de louca, exagerada, histérica, inculta e até de mulher-macho. Porque exigir poder usar a voz como os machos usam é querer ser iguais a eles. Eu mesma não quero ser igual a macho não. Credo!

Abaixo, alguns estágios gerais da violência simbólica, verbal e psicológica contra a mulher:

1. Silenciamento: a mulher fala, mas não é ouvida ou sua opinião é desconsiderada somente por ela ser mulher. A deslegitimação do discurso ocorre não por o que está sendo falado, mas por quem o fala. 

2. Distorção: a mulher tenta falar. Insiste na sua perspectiva e tem seu discurso distorcido para que ele não seja aceito/compreendido pelos demais e ela passe a duvidar de si mesma. 

3. Arquétipo da louca, histérica, frustrada e exagerada: a mulher não aceita o silenciamento e a distorção do seu discurso e posicionamento, então bate de frente com seus agressores linguísticos, levanta a voz, tem pulso firme e insiste na sua opinião, então é chamada de louca, exagerada... 

4. Culpabilização: de tanto silenciamento, distorção e manipulação psicológica a mulher passa a refletir se realmente está sendo ou foi exagerada e passa a se culpar por não ter se calado ou aceitado a outra visão de mundo, geralmente a do macho ou a que o privilegia e mantem as relações de dominação das quais ele tem o poder sobre ela. 

Finais alternativos (ou complementares): 

5. Aceitação: cansada de tanto silenciamento, manipulação e agressão verbal a mulher mesmo que não concorde com o discurso do outro tende a fingir que o aceita e/ou reconhece sua (suposta) atitude exagerada, louca, histérica... somente para ser deixada em paz. DEIXADA!!! Pois ficar em paz são outros quinhentos. 

5. Não aceitação: a mulher sabe que não é oceano pra ser pacífica e quebra o pau (quem dera literalmente) e mesmo com toda agressão verbal e psicológica sabe que já ficou calada tempo demais e que agora, a hora, não é de esperar, sentar e deixar acontecer, mas de fazer. Ela não é deixada em paz, mas, talvez, tenha paz consigo mesma.

Lizandra Souza.

''15 tipos de mulheres que mais desagradam os homens''


Meninas, esqueçam essas listinhas que dizem que homem ''não gosta de mulher com batom vermelho'', ''muita maquiagem'', ''roupa x ou y'', ''cabelo curto''... pois o que eles, geralmente, detestam mesmo é ver: 

1. Mulheres empoderadas. 


2. Mulheres inteligentes. 


3. Mulheres empregadas, sobretudo em cargos de prestígio social. 



4. Mulheres que se impõem, de personalidade forte... 


5. Mulheres decididas.


6. Mulheres com vida sexual melhor que a deles. 


7. Mulheres que não se resumem a agradá-los.


8. Mulheres que se amam em primeiro lugar para, depois, amarem os outros. 


9. Mulheres psicologicamente/emocionalmente estáveis. 


10. Mulheres ''desbocadas'' que não se deixam silenciar.


11. Mulheres que se vestem, se maquiam, usam o cabelo... como bem querem.


12. Mulheres seguras de suas escolhas, do poder sobre si mesmas.


13. Mulheres imperativas, poderosas.


14. Mulheres que não seguem padrões sociais de feminilidade ou esteriótipos de gênero.



15. Mulheres feministas, isto é, mulheres que lutam por mulheres.




Lizandra Souza.

Lugar de homem no feminismo é...


Já se questionaram do porquê de tantos homens cisgêneros (doravante homens) ficarem na internet chorando para usarem o título de feministas? Já se perguntaram do motivo de tanto alvoroço e male tears por conta de uma carteirinha? Já analisaram o fato de que eles recusam piamente o termo pró-feministas, porque querem ser, a todo custo (do silenciamento feminino), chamados de homens feministas? E, quando são confrontados por mulheres feministas não-liberais (marxistas, interseccionais, radicais etc), eles apelam para tentativas falhas de xingamentos como "feminazis", "misândricas", "femistas" ou, ainda, no auge de suas sedes por apoio, usam termos misóginos ou machistas, chamando as feministas que não dão a carteirinha deles de "vadias", ''putas", "mal amadas", entre outros termos advindos da raiva - misógina - momentânea. 

Eu já me questionei sobre tudo isso e, confesso, minha problematização não foi das melhores em se tratando de ver com bons olhos essa atitude masculina androcêntrica. A conclusão que eu cheguei é que lugar de homem no feminismo é fora. É justamente fora do movimento feminista que o homem deve demonstrar seu apoio para com a luta das mulheres. E o termo mais adequado para o homem aliado da causa feminista é o de "pró-feminista", mais adiante explico o porquê disso.

Não precisa se espantar e sair gritando aos quatro cantos do universo que "homens também podem ajudar na causa feminista", amiga feminista liberal, porque eu sei disso. E continuo achando que homem não tem lugar dentro do movimento feminista, pois é problemático assumir protagonismo masculino no único espaço onde as mulheres devem ter suas vozes priorizadas, legitimadas e visibilizadas. Vamos entender mais essa questão antes de chorar pelo sofrimento dos homens sem carteirinha de feministas?

Em questões de gênero, homens têm toda a sociedade patriarcal a favor deles. Da voz deles. Dos direitos deles. Dos privilégios de gênero para eles. Homens são por homens. Leis são, em massa, feitas por homens para homens. Para defender homens, para beneficiá-los, para legitimar o poder social deles sobre as mulheres. Homens têm toda uma estrutura social que os empoderam como sujeitos de si mesmos, enquanto as mulheres são ponderadas, são preteridas, são "o outro". Mulheres são deixadas à margem, são silenciadas, são subjugadas, têm suas experiências de mundo deslegitimadas pelo androcentrismo - visão de mundo masculina. MACHO JÁ TEM MUITA VOZ, socialmente legitimada e institucionalizada, ele não precisa de participação dentro do movimento feminista, a participação dele É FORA, é na sociedade, é nos espaços que ele já lidera culturalmente. 

Tenho certeza que muitas mulheres, apesar de entenderem isso, se farão de ingênuas e argumentarão a favor de macho no movimento. Porque não basta o macho opinar sobre a vida das mulheres historicamente, em sociedade, tem também que pautar o movimento feminista, o único espaço que devia ser liderado pelas mulheres. Essa necessidade de enfiar macho no movimento é um comportamento heteronormativo, é resultado da heterossexualidade compulsória que faz as mulheres héteros internalizarem que são apêndices de machos, a tal ponto que têm que viver ao redor do pinto de um. Parece duro né? Pois é, é isso que eu penso quando vejo mulher silenciando outra por causa de macho. Para legitimar que macho tenha voz EM UM ÚNICO espaço protagonizado pela figura feminina. Parem de esperar por príncipes de cu e bunda e protagonizem a história de suas próprias vidas, mulheres. Dá para gostar de macho, dá para ser hétero, sem precisar ser desesperada por homem. Para que isso de ter homem em tudo? Feminismo não é falocentrismo. E por que citei mulheres héteros? Porque não vejo mulheres lésbicas, bissexuais, pansexuais e assexuais, em massa, discutindo com outras mulheres para que homens tenham a passabilidade de uso do termo feminista.

Eu preciso do feminismo, por isso eu sou feminista. Mas eu não queria precisar do feminismo, pois eu queria não sofrer violência só por ser mulher. O feminismo só existe porque existe violência contra a mulher, porque mulheres insubmissas séculos atrás decidiram levantar suas vozes contra a dominação masculina. Eu sou feminista, mas eu queria não precisar ser. Ser feminista cansa. Ser feminista machuca. Ser feminista liberta, mas não é nada fácil. Feministas sofrem diversos tipos de violências, abusos, ataques e ameaças. Que mulher feminista militante nunca recebeu uma ameaça de estupro "corretivo"? Que mulher feminista militante nunca recebeu ameaça de assassinato? Que mulher feminista militante nunca foi ameaçada por expressar seus ideais? Que mulher feminista militante não é constantemente associada a figura da ''mulher-macho'', ''mulher mal amada'', ''mulher vadia''? Que mulher feminista militante não tem que lidar com a discriminação constante contra as feministas? Com todos os estigmas sociais que a palavra feminista carrega consigo? Mas vamos pensar nos homens feministas, nos revolucionários, sapientes, eloquentes homens salvadores das mulheres.

O homem pode ser o maior feministão que você respeita, mas na hora que o calo apertar, que os privilégios dele forem postos a prova, somos nós por nós... Na hora de apoiar as vítimas de estupro, somos nós por nós. Na hora de levantar a voz contra o feminicídio, somos nós por nós. Na hora de problematizar piadas misóginas, somos nós por nós. Na hora de apoiar umas as outras pela violência sentida na pele, somos nós por nós. Na hora de articular grupos de apoio para ajuda psicológica ou financeira para mulheres em situação de vulnerabilidade, somos nós por nós. Machos são criados para desprezarem os sentimentos das mulheres a medida que são ensinados a ignorarem a dor que eles causam a elas, a misoginia (violência física, verbal e sexual contra a mulher) é a prova disso. Eles nunca saberão de fato o que nós passamos. É nós por nós. A ajuda deles deve ser praticada de fora, isto é, como apoio, não como algo intrinsecamente ligado as pautas feministas, caso contrário, estamos fudidas. Todos os avanços femininos foram conquistados graças a luta feminina-feminista. Não apaguem nem deslegitimem a luta histórica das mulheres revolucionárias que não ficaram a espera de machos pela salvação do gênero feminino. 

Macho que quer apoiar o movimento não vai chorar na internet carteirinha de feminista. Macho que fica insistindo para ser chamado de feminista é macho escroto que só quer silenciar mulher, "pegar'' mulher ou ganhar ''biscoito'' de mulher, ao bancar o desconstruidão. O homem, de forma geral, está tão acomodado com seus privilégios de gênero que ele quer impor um lugar de fala/protagonismo até em um movimento - Feminismo - que luta contra um sistema opressor do qual ele é privilegiado e ocupa uma posição de poder. Homem que quer apoiar o movimento ignora o título de feminista, pró-feminista... e procura se desconstruir e desconstruir os amigos, sem esperar biscoito por isso. Do que adianta falar que é um homem feminista na internet e no bar rir das piadas machistas dos bróders? Do que adianta falar que é um homem feminista na internet e em casa deixar todo serviço doméstico para a mãe, irmã, avó, esposa? Do que adianta falar que é um homem feminista na internet e no trabalho achar justo a mulher ganhar menos que seus colegas masculinos? Do que adianta falar que é um homem feminista na internet e passar a mão na cabeça do amigo estuprador, assediador? Do que adianta falar que é um homem feminista na internet e ser somente em seus discursos bonitinhos na internet?

Um macho, ou melhor, mais um, me chamou de feminazi, ou seja, me comparou aos nazistas, só porque eu defendo a ideia de que homem pode ser, no máximo, pró-feminista, jamais feminista. Para quem faltou as aulas de português: o PRÓ é um prefixo que, aliado a palavra feminista, indica APOIO. Vou repetir: a p o i o. Não é exclusão, segregação, negação de ajuda ou de apoio como muita gente pensa. É exatamente reiterar o papel do homem na causa: o de apoiador, aliado. Por que é importante deixar em evidência o papel do homem pró-feminista enquanto um homem que apoia a causa, não a lidera? Porque os homens, em geral, querem reclamar do protagonismo que eles não têm. Qual a necessidade de um homem dar uma palestra sobre empoderamento feminino sendo que existem inúmeras mulheres feministas que podem ocupar esse espaço com sua voz?  Qual a necessidade de ter homem em grupos feministas fechados para mulheres desabafarem a violência que sofrem somente por serem mulheres? Qual a necessidade de homens ficarem decidindo o que é ou não relevante para o movimento feminista? Que pautas nós, mulheres, devemos ou não levantar? Os homens desconstruídos adoram falar de feminismo, mas só na internet e nos espaços que deveriam ser ocupados pelas mulheres. Usar do espaço e voz que eles JÁ TÊM para tornar a sociedade mais receptiva ao feminismo é vandalismo. 

O pior, para mim, não são nem esses machos escrotos que ficam chamando de "feminazi" qualquer mulher feminista que os problematizem, mas as mulheres que insistem em enfiá-los no movimento. Eles não têm vez e nem voz para mim, logo pouco me importa a cagação de regra deles. O que fico enojada é com a quantidade de mulheres que fecham os olhos para o silenciamento das companheiras de luta para "defender" a carteirinha de feminista desses machos a todo custo. 

Querem machos no movimento para quê? Para que eles, em manifestações com CENTENAS de mulheres, ganhem mais visibilidade e virem assunto nacional? 
Querem machos no movimento para quê? Para que eles decidam quem é feminista de verdade, igual decidem quem é "mulher de verdade"? 
Querem machos no movimento para quê? Para que eles, quando contrariados, ao invés de nos chamarem de vadias, nos chamem de feminazis? 
Querem machos no movimento para quê? Para que eles sejam convidados, em eventos diversos, para falarem sobre empoderamento feminino? Sobre aborto? Sobre libertação da sexualidade feminina? Sobre cultura do estupro? Sobre como é sofrer diariamente com a misoginia? Como é ganhar menos só por ser mulher? Como é ser impulsionada a ser mãe pela maternidade compulsória? Como é ser silenciada numa sociedade que oprime mães? Como é ter o corpo vendido, usado como moeda de compra e venda? 
Querem machos no movimento para quê? Para que eles falem nos nossos espaços o mesmo que nós já falamos, porém ganhando a visibilidade que nós não temos? 

Entendam, negar protagonismo não é o mesmo que negar apoio. Apoio não vem de dentro, mas de fora do movimento. É quando o macho se dedica a falar de feminismo, de machismo, de patriarcado, de privilégios masculinos, entre outros, em casa, na rua, no trabalho, na escola, na universidade, com os amigos, NÃO para as feministas. O apoio masculino real é importante e deve ser valorizado, mas são superestimado. 

Homens que querem apoiar a luta feminista, ou vocês são machos pró-feministas que buscam falar de machismo, de feminismo, de privilégios masculinos para seus amigos misóginos (o que é muito importante) ou vocês são machos escrotos, misóginos e roludões do rolê que ficam na internet ofendendo mulheres feministas para serem chamados de feministas e se sentirem no direito de nos ensinarem o "verdadeiro movimento feminista'' pautado por vocês, os dois não dá.