Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

"Eu levo cicatrizes em meu corpo", diz mulher após ver agressor virar 'herói' em manifestação feminista

Um caso recente de feminicídio na Argentina, no qual uma adolescente de 16 anos foi drogada, estuprada, empalada e assassinada por no mínimo três homens, foi o estopim para que mulheres participantes de coletivos feministas convocassem/organizassem protestos em várias cidades da América Latina, para pedir o fim da violência contra a mulher. 

Em meio aos protestos, convocados, liderados e lotados por mulheres, um homem ganhou visibilidade por conta de um cartaz que segurava: "Eu estou seminu, rodeado pelo sexo oposto, e eu me sinto protegido, não intimidado. Eu quero o mesmo para elas". Por conta do discurso "desconstruidão" o registro da participação do "feministo" viralizou nas redes sociais. Ele recebeu elogios de milhares de pessoas por estar sem camisa na rua e segurando um ''cartaz feminista''. Enquanto isso, com as mulheres da "Marcha das vadias"... vocês já sabem os discursos!



O que muitas pessoas não imaginavam é que o "herói" das mulheres, o desconstruidão da porra toda, aquele que virou líder dos movimentos feministas de tanto ser ovacionado, Felipe Garrido, tem uma história de violência contra a mulher nas costas.

Sua ex-companheira, Francesca Palma, após ver o ex-agressor ser elogiado nas redes sociais, desabafou em sua conta no Facebook

"Eu sou mãe da filha que nasceu da relação com este indivíduo, que diz defender nossos direitos e que, por anos, destruiu a vida da minha filha e a minha. Levo cicatrizes em meu corpo e em minha memória, ainda que ele não se importe que sua filha tenha que comer, que tenha estudos, que tenha saúde. Esse mesmo homem que não paga a pensão, que descadastrou sua filha do Isapre [sistema privado de seguros de saúde do Chile] sem avisar, que provocou a depressão que afetou minha filha por muitos anos por culpa do mal-trato psicológico que lhe deu. Sem ir mais adiante, ontem era dia de visita, e ele mandou uma mensagem dizendo que não poderia buscá-la porque teria que trabalhar, agora todos sabemos que era para ir para a marcha, não para o trabalho. Ele desapareceu por um ano, logo chegou dizendo que eu não o deixava ver sua filha, tentando me mandar para a cadeia várias vezes. Os tribunais não lhe deram esse prazer, e nos mandaram para terapia, da qual ele nunca participou. Ele segue prejudicando minha filha, inclusive fazendo com que ela durma no chão ou em um colchão inflável enquanto ele dorme na cama. Por favor, compartilhem e não acreditem em tudo o que veem.".

Ao El Desconcierto, Francesca contou que conheceu Felipe aos 15 anos, os dois começaram uma relação e ela ficou grávida aos 19, o que motivou eles a morarem juntos, apesar de seus pais serem contra, pelo homem não trabalhar. "Sempre cortavam a luz do apartamento. A pessoa que nos ajudava a cuidar da bebê é testemunha de tudo isso. Ali começaram as brigas, porque eu estava cansada de mantê-lo, já que ele não trabalhava. Uma vez ele jogou um prato contra mim e rompeu meu tendão, tenho uma cicatriz no pé...", disse a mulher.

Não é de hoje que muitos homens se passam por desconstruídos somente para roubarem protagonismo dentro do movimento feminista e para "pegarem'' mulher. Eu não confio no apoio de machos que querem aparecer mais que as mulheres dentro do movimento, eu não confio em machos que se dizem feministas, porque, na minha visão, eles são piores que os que se dizem "machistas em desconstrução", pois silenciam mulheres dentro e fora do feminismo, enquanto os que alegam estarem em desconstrução, em geral, sabem seu lugar de fala, pois admitem o próprio machismo. Eu, em geral, não confio em macho. E tenho todas as razões do mundo para isso. 

E você, macho que se diz feminista e que está lendo esse post, acha que não é machista porque nunca estuprou ou assassinou nenhuma mulher, mas já agrediu física, verbal, psicológica e emocionalmente; assediou, humilhou, maltratou, inferiorizou, silenciou, subordinou, censurou... 

Não abre mão do pornozão... acha que homem tem que ganhar mais mesmo, homem é homem né? acha que o empregador pode escolher não contratar mulheres porque mulheres (cis) engravidam (com o dedo?)... acha graça de piadas machistas feitas pelos amiguinhos na mesa de bar... é só uma piada, tem que levar na esportiva... passa a mão na cabeça do coleguinha de trabalho que vive assediando as colegas... acha que a mulher que veste roupa curta é vadia e se sente no direito de cagar regra na vida da companheira... 

Legitima assédio dizendo que cantada de rua é arte... arte que nenhum gay pode praticar com ele! Diz que nada justifica estupro, mas problematiza o tamanho da roupa das vítimas, onde elas estavam, o horário etc. O que aquela vadia estava fazendo naquele lugar? Aquela hora? Com aquele(s) cara(s)? Quem mandou usar aquela roupa curta? Quem mandou sair de casa? Foi estuprada em casa? Alguma coisa deve ter feito, se insinuou? 

Não é machista, mas é.
Lizandra Souza.

Descubra se você seria considerada uma bruxa na Idade Média e perseguida pela Inquisição


Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha, nariguda e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. A palavra vem do verbo italiano bruciare que significa queimar (brucia), na época da Inquisição, estrangeiros fora da Itália ao ouvirem gritar brucia associaram a palavra com a ré. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia. (Wikipédia, a enciclopédia livre)

Descubra se você seria considerada uma bruxa na Idade Média e perseguida pela Inquisição. 

1. Você é mulher? Na época do apogeu a "caça às bruxas" bastava ser mulher para ser acusada de bruxa. Um ''tropeço'' na sociedade que você desse já indicava o mal embutido no seu sexo.

2. Tem uma vagina? Não é só hoje que esse órgão sexual é estigmatizado, antigamente bastava ter uma para te olharem torto e com suspeitas. 

3. Menstrua? Sangue de menstruação era usado em rituais de magia, o que garante que você não usaria o seu para fins obscuros? Tipo destruir a ordem patriarcal... e implantar o Matriarcado misândrico. 

4. Você é muito magra? Bastava você pesar menos que o tamanho de uma Bíblia gigante - que os inquisidores usavam como um dos métodos de identificação de bruxas nos julgamentos do Santo Ofício - que você já seria acusada de ser uma bruxa, pois bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural segundo diziam... 

5. Você tem uma gargalhada estranha? Cuidado, mulheres com "riso histérico" seriam alvos fáceis e suspeitos segundo a cultura popular... 

6. Você seria o que hoje é conhecida como herborista? Ter conhecimentos das plantas e ervas nem sempre era visto como algo bom... o que garante que você não envenenaria o primeiro macho que ousasse te agredir? 

7. É nariguda? Idosa? Tem rugas? Bruxas são, no imaginário popular, retratadas como velhas narigudas e enrugadas. 

8. Possui algum sinal de nascença "estranho"? Uma manchinha talvez? Até um pontinho no seu corpo poderia ser considerado obra do Diabo, o que garante que esse sinal não é fruto de pacto entre você e o tinhoso? 

9. É inteligente? Mulheres inteligentes podiam facilmente tomar o lugar dos machos na sociedade... 

10. Gosta de sexo? Bruxas e a luxúria andavam de mãos dadas, segundo a Igreja... e, claro, os clérigos abusadores de mulheres. 

11. É feminista/ativista/subversiva? Mulheres contestadoras da ordem social sempre foram associadas as bruxas, afinal o que daria na cabeça de uma mulher querer ser dona da própria vida se não fosse tal obra uma influência diabólica? 

12. É pobre? Pobres estavam sujeitos a bruxaria para melhorarem de vida. 

13. É rica? Mulheres ricas seriam independentes financeiramente de machos, ou seja, com certeza teriam no porão de suas casas potes com pênis decepados dentro. Como você poderia provar que não é uma cortadora de bilaus? 

14. Tem muitas amigas? Muitas mulheres unidas num mesmo lugar e muito próximas emocionalmente uma das outras era obra de forças secretas, união feminina para a implantação do matriarcado, pode crer! 

15. Você já disse brincando alguma vez que é uma bruxa ou alguém já te chamou de bruxa? Bastava uma acusação, você já seria alvo de inquisição e teria que provar que não guarda nenhum pote com olhos de lagartixa ou que não tem nenhum meio de comunicação com Satã. 

16. Você é cristofóbica? Acreditavam que as bruxas tinham o poder de matar com armas invisíveis cristãos batizados... cristofobia na certa! 

17. Descumpriu alguma regra bíblica? Bruxa na certa, filha de Satã que renegou a alma a Deus. Herege!!! 

18. É estéril? Infertilidade poderia significar que seu útero foi amaldiçoado, que o Diabo te impediu de procriar para desagradar a Deus. E se você foi a escolhida pelo Demo é porque... 

19. Já foi assediada por algum membro da Igreja e colocou a boca no mundo? Certamente você seria uma bruxa a parar na fogueira caso se salvasse do linchamento popular por difamar e "tentar" um homem de Deus. 

20. É mulher?...

É, amiga, se a vida não está fácil hoje, imagina naquela época.


Lizandra Souza.

O cara que diz que não é machista, mas... é


Diz que não é machista porque nunca estuprou ou assassinou nenhuma mulher, mas já agrediu física, verbal, psicológica e emocionalmente; assediou, humilhou, maltratou, inferiorizou, silenciou, subordinou, censurou...

Não abre mão do pornozão... acha que homem tem que ganhar mais mesmo, homem é homem né? acha que o empregador pode escolher não contratar mulheres porque mulheres (cis) engravidam (com o dedo?)... acha graça de piadas machistas feitas pelos amiguinhos na mesa de bar... é só uma piada, tem que levar na esportiva... passa a mão na cabeça do coleguinha de trabalho que vive assediando as colegas... acha que a mulher que veste roupa curta é vadia e se sente no direito de cagar regra na vida da companheira... 

Legitima assédio dizendo que cantada de rua é arte... arte que nenhum gay pode praticar com ele! Diz que nada justifica estupro, mas problematiza o tamanho da roupa das vítimas, onde elas estavam, o horário etc. O que aquela vadia estava fazendo naquele lugar? Aquela hora? Com aquele(s) cara(s)? Quem mandou usar aquela roupa curta? Quem mandou sair de casa? Foi estuprada em casa? Alguma coisa deve ter feito, se insinuou? 

Não é machista, mas é.

Lizandra Souza.

Sobre ser feminista...


Ser feminista e escolher não se depilar, não usar maquiagem, não querer casar, não ter filhos... tudo bem. Agora, ser feminista e escolher se depilar, usar maquiagem, casar (seja com homem, com mulher, com pessoa não-binária), ter filhos... tudo bem também. 

Você é feminista para tentar conscientizar as mulheres das possibilidades de escolhas a respeito da vida delas ou você é feminista para impor suas escolhas na vida alheia? É óbvio que padrão de feminilidade deve ser problematizado, desconstruído, mas isso requer recorte social, de gênero, racial, estético etc. 

Para mulheres magras/cis/brancas (ou seja, mulheres padrão de beleza) é bem mais fácil fugir da performatividade de gênero feminino que para as mulheres gordas/trans/negras... que no geral já são preteridas socialmente. 
Para mulheres de classe social privilegiada é bem mais fácil condenar a moça pobre por performar feminilidade, afinal não é ela que corre o risco de ficar sem emprego caso a aparência dela seja alvo de preconceito e recusa na hora de arrumar um. 
Para mulheres padrão, acostumadas a receberem elogios, a se sentirem bem consigo mesmas, é bem mais fácil apontar o dedo e problematizar sem recorte o fato de mulheres preteridas, de mulheres que vivem sob a sombra da solidão, desejarem relacionamentos, família, usarem maquiagem, se depilarem etc. 

Sobre maternidade, ela é socialmente imposta, é compulsória, é romantizada, é construída de forma a oprimir as mulheres, a problematização disso é necessária e válida, o que não quer dizer que toda mulher que quer ser mãe, o quer por imposição. Tirem essa limitação das escolhas das mulheres da vida e militância de vocês. Da mesma forma que uma mulher pode não querer filhos porque isso não faz parte dos planos de vida dela, dos desejos dela, uma mulher pode querer tê-los por ESCOLHA. 

Quanto a se relacionar com homem, heteronormatividade NÃO transforma ninguém em hétero, porque ser hétero também tem haver com sexualidade, não com escolha/programação, assim como ser bi/pan/ace/homossesxual... Isso de TODO "pênis in vagina" (PIV) ser estupro é absurdo, não deslegitimem a sexualidade das mulheres héteros (e das mulheres que se relacionam com homens/cis). Problematização não deve servir pra limitar, mas para abrir possibilidades na vida da mulher de acordo com as vivências dela. 

Lizandra Souza.

Hétero-cis-normatividade, o que é?



Nossa sociedade é hétero-cis-normativa. Isso significa que a heterossexualidade e cisgeneridade são compulsoriamente impostas. Não, não estou dizendo que vocês, heterossexuais-cis, são héteros-cis por compulsão. Quero dizer que há um sistema social que designa TODO MUNDO como sendo hétero-cis ANTES MESMO do nascimento e posteriormente tudo o que foge disso é considerado anormal, imoral e, em muitas sociedades, ilegal. 

Antes mesmo de a pessoa nascer, desde o ultrassom, quando é identificado que ela tem pênis ou vagina, há imediatamente uma marcação sexual e de gênero: se tem vagina, vai ter que ser menina, se comportar como é concebido e estabelecido socialmente como "comportamento de menina'' e, por isso, vai ter que gostar de menino; se tem pênis, vai ter que ser um menino, se comportar como é concebido e estabelecido socialmente como "comportamento de menino'' e, por isso, vai ter que gostar de menina. E aí, quando a pessoa com vagina ou com pênis, desde sua infância, vai fugindo de esteriótipos de gênero e de sexualidade esperados para ela cumprir de acordo com a leitura social e, posteriormente, quando cresce passa a se designar/manifestar o contrário do que lhe foi atribuído no nascimento, a sociedade cai em cima. Discrimina, julga, condena, exclui, marginaliza, em muitos casos, ASSASSINA!

Todo comportamento de gênero, toda orientação sexual e manifestação de identidade de gênero que fuja do que é pré-estabelecido pela hétero-cis-norma, é condenável e passível de discriminação. Daí a opressão que lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, assexuais e pansexuais sofrem (LGBT+fobia). 


Lizandra Souza.

Feminismo para crianças

Brincadeira de criança...
Feminismo é um movimento social, político e filosófico que, em síntese, busca o fim do patriarcado, isto é, o sistema de dominação-exploração da mulher pelo homem/cis, para, desta forma, conseguir a equidade social, política e econômica entre os gêneros. Essa definição, muita vezes entendida apenas de forma genérica, não explicita como se manifestaria essa igualdade política e social entre os sujeitos, muito menos, aponta para as especificidades de tais sujeitos, sobre quem são e como são constituídos socialmente. 

Como consequência primária desse quadro, os sujeitos para os quais busca-se a tal equidade se resumem, no nosso pensamento e discurso, na maioria das vezes, as mulheres e homens adultos, não me atrevo nem a apontar que a existência de pessoas não-binárias seja visibilizada em tal discurso. Secundariamente, invisibiliza grupos sociais historicamente marginalizados e silenciados, como a população infanto-juvenil, sobretudo a infanta.

Crianças negras sofrem com o racismo, crianças gordas sofrem com a gordofobia, crianças pobres sofrem com o elitismo, crianças LGBTs sofrem com a LGBTfobia, crianças com deficiência sofrem com o capacitismo, crianças, sobretudo meninas, sofrem com o machismo, crianças só por serem crianças sofrem silenciamento e etarismo (discriminação etária). Diante disso, eu lhe pergunto, seu feminismo é para crianças e (pré)adolescentes? Isto é, seu feminismo contempla essa população? Acolhe? Dá visibilidade e voz a esse grupo social? Pauta por ele? 

Eu vejo quando essa questão é levantada em espaços de militância que muita gente responde que sim as perguntas, mas, nesses mesmos espaços, quando o assunto maternidade compulsória é levantada, por exemplo, muitas das mesmas militantes que responderam sim anteriormente, usam como argumento contra a imposição da maternidade o discurso de que "não querem ser mães porque não gostam de crianças", "crianças são chatas, insuportáveis" e até que "odeiam crianças", isso, segundo elas, quando são questionadas, no ''figurativo''.

Tal atitude é lamentável e injustificável*, ainda mais vinda de quem se diz feminista. Quando uma feminista diz que não gosta de crianças, que crianças são chatas, insuportáveis... ela não está só sendo etarista, mas também está excluindo mulheres que são mães do feminismo. Pensemos, que mãe vai se sentir acolhida e ver sororidade numa militante que discursa ódio contra suas filhas e filhos? E que criança (ou pré-adolescente) vai criar empatia pela palavra "feminista" se ela escutar de uma feminista que "crianças são insuportáveis"? 

Eu tenho uma prima de 7 anos que há um tempo se interessou em saber o que era feminismo quando me viu administrando a página deste blog no Facebook. Mostrei uns memes para ela e ela me disse que iria ser feminista também. Conheço umas meninas de 12 anos que já se intitulam feministas. Na minha página, já recebi RELATOS de crianças de 11, 12 anos. De meninas que sabiam que podiam procurar uma página feminista para desabafar sobre determinada violência que sofreram. Já tive alguns alunos e alunas do ensino fundamental II, 6º e 7º anos, que demonstraram interesse pelo movimento feminista quando eu falava sobre em sala de aula. Conheço e conheci crianças que sofreram diversos tipos de abusos: físicos, sexuais, psicológicos, emocionais. Portanto, eu repito meu questionamento anterior, que criança (ou pré-adolescente) vai criar empatia pela palavra "feminista" se ela escutar de uma feminista que "crianças são insuportáveis"? 

Não privem nossas crianças e jovens do movimento só porque muitas vezes eles não possuam AINDA uma maturidade para entender teorias, pois o que importa é levar a prática feminista na vida da população infanto-juvenil, não teorias de gênero e exploração sexual. 

Me pergunto, a feminista que diz que não gosta de crianças porque crianças são (supostamente) chatas está promovendo uma militância que proporcione o empoderamento infantil? Que abra espaço para lutar para que essas crianças não sejam oprimidas? Está possibilitando que o feminismo, não em teoria, mas em PRÁTICA, chegue na vida dessas crianças? Das MULHERES-mães dessas crianças? 

Se o discurso coincidir com a prática, o que é esperado, não. 

Você que já foi criança, não lembra como era ruim ouvir que você era chata só porque você não era adulta? Não lembra como te negavam direitos básicos? Como te silenciavam? Como era foda sofrer algum abuso e não ter a quem contar? A quem pedir ajuda? Socorro? Já parou pra pensar no que as crianças que leem ou escutam esses discursos pensam? Sentem? Já pensou que você pode estar ajudando no silenciamento de uma criança? 

Para concluir, deixo abaixo alguns depoimentos de jovens feministas que se manifestaram na primeira versão desse texto, que eu postei há umas semanas no Facebook, no meu perfil pessoal. 



*Maternidade compulsória não se combate com discursos etaristas, mas com discursos de desconstrução da ideologia machista que naturaliza a reprodução feminina como destino inalienável de toda mulher. Você pode dizer que não quer ser mãe porque maternidade não está nos seus planos, porque ser mãe é uma escolha, não uma obrigação, logo você optou por não ser, que ter filhos é uma responsabilidade que você não quer assumir para si etc. Dizer que odeia crianças é como dizer que odeia idosos, gays, negros, mulheres. Porque legitima socialmente a marginalização dos sujeitos preteridos.

Lizandra Souza.