Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

Vamos falar de sororidade?


Iniciarei meu posicionamento dizendo que entendo a sororidade como um ato político, portanto, não individual/seletivo, muito menos, neutro ou utópico. Explicarei melhor mais adiante.

Conceber a sororidade como um ato político no Feminismo é compreendê-la como uma tática de militância contra a segmentação que a opressão de gênero faz com as pessoas oprimidas no sistema de dominação-exploração de gênero, como no caso das mulheres, para que elas não fiquem unidas e, assim, não detenham algum poder que possa se contrapor a manutenção da opressão. Dessa forma, a sororidade deve se propor a unir as pessoas pertencentes ao grupo que ocupa uma posição desprivilegiada nas relações sociais de dominação patriarcal, para que unidas essas pessoas possam representar um obstáculo a manutenção do poder exercido pelos homens/cis.

Uma das práticas da sororidade, por exemplo, é a luta contra a apologia e naturalização da rivalização feminina que a sociedade trata como algo "natural", o que na verdade é um comportamento naturalizado na medida em que nos ensinam desde cedo a sermos competidoras da atenção de homem/cis, que somos "rivais por natureza", que somos "mais inimigas que amigas".

Outra prática é a que busca o empoderamento coletivo (não seletivo) das mulheres (cis e trans) e pessoas trans no geral, as quais também sofrem com a opressão de gênero. A sororidade, ainda, pode se manifestar de diversas formas: no apoio, na amizade, companheirismo, conscientização, empatia pela dor da outra...

Cheguei a um ponto crucial no que se refere a sororidade: EMPATIA pela dor da outra mulher. Nós sofremos com a opressão de gênero, mas nós não temos as mesmas vivências e nem ocupamos os mesmos lugares na sociedade. Cada vivência pode envolver não só a opressão de gênero, mas também a opressão por sexualidade, a opressão de raça, a opressão de classe.

Logo, reconhecer privilégios (por não sofrer com determinada opressão) é essencial para uma sororidade que não seja silenciadora, apagadora de identidades oprimidas.

Ter empatia, reconhecer privilégios (de raça, de sexualidade ou de classe social, entre outros) e abraçar as causas, mas sempre respeitando os lugares de fala, é vital para a(s) nossa(s) luta(s).

Não é sororidade, por exemplo, uma mulher/cis/trans negra ter que aceitar racismo de mulher/cis/trans branca. Exigir silenciamento não é sororidade, é CHORORIDADE!!! E não passará!!!

Pedir que uma mulher negra não aponte racismo na fala da "irmã" é silenciamento!


Lizandra Souza.