Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

Como ser um homem de verdade em 10 passos: manual de apoio para homens (cis) que ainda não se valorizam

Homens/cis (doravante homens), entendam que nossa sociedade é mulherista, logo, a vida de vocês gira em torno dos gostos e das opiniões das mulheres, sendo assim, vivam para agradá-las, caso contrário vocês não merecerão respeito. Pensando na sofrência de vocês, fiz esse manual básico para vocês seguirem e, assim, poderem ser tratados como seres humanos pelas mulheres. Sem mais detalhes, leiam e sigam as instruções de como ser um homem/cis de verdade. 



1 - Homem, pare de tirar essas fotos e/ou de andar na rua, mesmo que na praia e num dia de calor, sem blusa e/ou só de cuecas, depois se você for estuprado vai reclamar e se fazer de vítima... Você não entende que é normal uma mulher se sentir dona de seu corpo se você o mostrar publicamente? É instinto biológico feminino! 

2 - O mesmo serve para fotos íntimas, não quer ser julgado e xingado de puto, vadio, imoral? Não tire esse tipo foto e não confie em sua parceira, simples assim.

3 - Não quer sofrer violência sexual? Não ande na rua sozinho, principalmente tarde da noite e com roupas insinuantes, como, por exemplo, essas calças que ficam caindo no meio da bunda, isso é mesmo que um convite de ''tô querendo..." para as mulheres.

4 - Em ônibus ou em outros transportes coletivos, se sente de maneira comportada, feche as pernas quando se sentar perto de uma moça, exceto se você tiver uma piroca/testículos de vidro ou com elefantíase.

5 - Falando em fechar as pernas, que tal abrir os livros? Mulheres gostam de homens inteligentes.

6 - Se dê mais o valor... Homem de verdade não procura sentir prazer no sexo. Purifique a alma e pense mais no ''amor espiritual'', assim as mulheres vão dar seu valor.

7 - Cuidado e atenção quando for dirigir: homem no volante, perigo constante. 

8 - Seja submisso - mulheres adoram isso - que a sociedade te dá pontinhos extras!

9 - Caso sua companheira pise em você, o humilhe ou o agrida, encare isso como normal, afinal ela é sua dona, na sociedade isso é convencional, aceite.

10 - Não fique com raiva de levar assovio e/ou cantada na rua de forma constrangedora, ainda mais se estiver mostrando os mamilos ou a parte da bunda, as mulheres só estão lhe admirando. Aceite.


Lizandra Souza.

Por que é problemático assumir que um homem (cis) pode ser feminista?



Dizer que o homem/cis não pode ser feminista é o mesmo que mandá-lo se foder?
É o mesmo que exclui-lo da causa? 

N-Ã-O.

Me poupem.
Se poupem.
Nos poupem.



Dizer que o homem cisgênero não pode ser feminista NÃO é oprimi-lo/segregá-lo, mas sim impor para ele um lugar de propriedade de FALA e VIVÊNCIA que ele NÃO possui DENTRO do movimento.

Não possui porque ele é privilegiado historicamente na cultura patriarcal sexista machista e misógina. Assim, enquanto homem cis, ele não possui propriedade para protagonizar um movimento que luta contra um sistema que o privilegia enquanto homem-cis porque ele está numa situação de poder na opressão de gênero.

Mas, então, o que faz um homem/cis que supostamente tem empatia pelo feminismo? 

Ora, ele pode ser PRÓ-feminista. O prefixo "pró" já indica apoio.

Apoiar uma luta é diferente de silenciar as protagonistas dessa luta.

Protagonista é quem tem VIVÊNCIA daquilo, isto é, quem sofre com a opressão e tem propriedade de fala preferencial, não quem se auto-intitula o "bonzão da história".

Negar o protagonismo da pessoa oprimida é dar voz (e mais poder) ao seu opressor. Se a pessoa oprimida não tiver o direito de ter o direito a própria voz e respeito de vivência em seu movimento de luta, onde mais ela terá? 

O homem/cis, de forma geral, está tão acomodado com seus privilégios de gênero que ele quer impor um lugar de fala/protagonismo até em um movimento - Feminismo - que luta contra um sistema opressor do qual ele é privilegiado e ocupa uma posição de poder.

Em vez de ficar chorando na internet e agredindo verbalmente feministas, o homem/cis que SUPOSTAMENTE sente empatia pelo feminismo a ponto de querer a todo custo ser chamado de feminista ou ter a liderança - protagonismo - do movimento, deveria deixar de mimimi silenciador e usar do espaço social que ele já lidera culturalmente e ajudar a transformar esses espaços em lugares receptivos e empáticos para as ideias e práticas feministas.

O lugar dele no feminismo (militância/protagonismo) é fora.
Sim: FO-RA.

O papel dele tem que ser se desconstruindo e promovendo a desconstrução dos amigos em quaisquer ambientes sociais. E não dando pitaco dentro da nossa luta.



Reclamar protagonismo silenciador os feministOs querem.
Chorar por mais voz - imposição de regra - num movimento que luta contra uma opressão que os privilegiam, os feministOs querem.
Definir e/ou impor questões relativas às pautas e/ou militância para as pessoas oprimidas sobre a opressão que eles enquanto homens cis não vivenciam por estarem numa posição de poder na opressão (de gênero), os feministOs querem.
Mas usar do espaço e voz que eles JÁ TÊM para tornar a sociedade mais receptiva ao feminismo já é vandalismo.



"MAS somos todos humanos e iguais, por que não termos a mesma voz dentro dos movimentos sociais...?"

Somos todos humanos e iguais na hora de ganhar o mesmo salário para fazer a mesma tarefa com a mesma carga horária de trabalho e qualificação profissional?

Somos todos humanos e iguais quando nos rejeitam a determinados cargos por causa do nosso gênero, sexualidade e/ou cor/etnia?

Somos todos humanos e iguais andando na rua à noite?

Somos todos humanos e iguais quando vestimos uma roupa curta? E não nos punem com assédio ou estupros?

Somos todos humanos e iguais quando usamos a nossa liberdade sexual?

Somos todos humanos e iguais quando precisamos lutar por direitos que maiorias privilegiadas já têm?

Somos todos humanos e iguais quando decidimos que não queremos ter filhos?

Somos todos humanos e iguais para a PM?

Somos todos humanos e iguais para a sociedade que historicamente privilegia brancos simplesmente por serem brancos?

Somos todos humanos e iguais para a sociedade que historicamente privilegia homens/cis simplesmente por serem homens/cis?

Não, logo cada movimento deve ser pautado/liderado por quem realmente tem propriedade e vivência de oprimida/o e não por quem ocupa um lugar de poder na opressão.



Lizandra Souza.

Não existe piada de estupro, existe apologia ao estupro


Estupro NUNCA é piada.
Estupro NÃO é brincadeira.

Estupro não é motivo de piada, logo não existe piada de estupro, existe apologia ao estupro sendo naturalizada por meios de expressões que na cabeça de gente misógina (ou que internalizou a misoginia) tem "graça". Dizer que existe piada de estupro, mesmo que "sem graça'' é naturalizar, por meio dessa expressão, a cultura do estupro. Pois abre espaço pra que estupro seja associado a piada, mesmo que uma piada ''sem graça'', logo legitima também aquele discursinho do "você é que não soube interpretar". Ora, o problema não é a interpretação de alguém sobre o que chamam de ''piada'' de estupro, mas o fato de ter gente achando que estupro é piada, seja de bom ou mau gosto, seja com ou sem graça.


Não faça apologia ao estupro através de discursos misóginos: pseudopiadas que só naturalizam essa violência. Enquanto você ri ou faz uma pseudopiada de estupro uma mulher é violentada. Ela está sendo violentada e o culpado TAMBÉM é você que ajuda a incentivar/naturalizar isso.



Lizandra Souza.

Bela adormecida (uma ova)




Era uma vez um príncipe infeliz que, caminhando por uma floresta, viu um casa e resolveu invadi-la para ver o que encontrava por lá. Ele poderia ter ido à cozinha e aproveitar para lavar a louça ou poderia ter ido ao quintal capinar um lote, mas o príncipe preferiu entrar em um quarto sem mesmo pedir licença.

Lá, ele viu uma linda moça dormindo profundamente, então, do nada, se achando o bonzão, ele resolveu beijar essa moça, mesmo não tendo o consentimento dela. Porém, antes que seus beiços tocassem nos lábios da jovem, surgiu uma bruxa misândrica e transformou o príncipe numa lâmpada que seria trocada quando uma outra queimasse.

Tudo não passara de um truque da bruxa e da moça.


Lizandra Souza.

O super-piroca


Era uma vez um homem que se gabava muito de sua piroca. Era a piroca isso, a piroca aquilo. Se não chovia no Nordeste, era falta de piroca no clima. Se o pão queimava, era falta de piroca no padeiro. Se as enchentes invadiam alguma cidade, era falta de piroca no saneamento... Se as as mulheres iam às ruas lutar por direitos... aí sim que era falta de piroca mesmo.

Para Piroconildo somente uma coisa poderia resolver as dificuldades das pessoas: uma piroca. Ou várias. Mas não para por aí. As coisas que ele achava como sendo boas também estavam relacionadas à piroca, à presença dela... Seu primeiro emprego, resultado de sua piroca. Sua cura de uma doença rara, sua piroca e a piroca do médico... Se seu time de futebol ganhasse um jogo, fora por causa da piroca. Seu sobrinho passou no vestibular por causa da piroca. Sua tia ganhou na loteria, por causa da intuição da piroca do marido.

Certo dia, numa rua qualquer, Piroconildo encontrou uma lâmpada mágica, quando ele passou a piroca na lâmpada, surgiu uma gênia, Miss Andry. "Oh, homem de sorte, você terá direito a um pedido, vamos... me diga o que mais você deseja nessa vida?", disse a gênia. Piroconildo pensou, pensou e pensou... "Eu não preciso de mais nada nessa vida, minha piroca já é tudo", respondeu Piroconildo a Miss Andry. "Mas deve ter algo, alguma coisa que você sonhe...", disse a poderosa gênia, piscando com o olho esquerdo para o homem. "Ah, já sei, eu quero que minha piroca fique mais visível, para que todos possam admirá-la... invejá-la... e quero que ela... que ela fique... maior...", falou. "Seu desejo será concedido, você é um homem de muita sorte, a partir de hoje você poderá ostentar sua piroca para o mundo", disse a gênia.

Em seguida, ela mandou Piroconildo fechar os olhos. O macho, já excitado pela sede de ostentação, obedeceu. Miss Andry apertou a piroca de Piroconildo, disse a palavra mágica - misandria - e sumiu do nada, como um relâmpago! Quando Piroconildo abriu os olhos, ele já não era mais o mesmo. O homem olhou para suas partes íntimas e começou a berrar, a urrar, a latir, a piar, a rodar que nem uma barata tonta quando viu que sua piroca não estava mais no lugar... 

As pessoas que passaram por aquela rua dizem que viram um homem correndo nu e com uma piroca no pescoço, como se fosse um colar...

Um colar de piroca!

Lizandra Souza.