Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

Pornografia de vingança é violência de gênero!



Depois do fim de um relacionamento, o homem, inconformado, decide se vingar de sua ex-companheira, divulgando na internet fotos e vídeos íntimos dos dois, feitos em momentos de intimidade, quando eles ainda estavam juntos e o sentimento de paixão e confiança era recíproco. Tudo isso para desmoralizar a mulher, expô-la a julgamentos morais e marcá-la para o resto de sua vida, pois ele sabe que a sociedade é machista e misógina e que toda censura e culpa caíra sobre a mulher: a vítima. Afinal, ele é homem, homem pode transar, homem pode mostrar seu corpo, o genital do homem não é censurado e objetificado como propriedade feminina, o corpo do homem é livre, o da mulher não.

A sociedade pune cruelmente a mulher que confiou em seu ex-parceiro por ELE expô-la na internet e agredi-la - no mínimo moral e psicologicamente. E tudo isso porque ela, mulher, CONFIOU nele e aceitou fazer um vídeo ou foto do ato sexual deles ou, ainda, enviou para ele os famosos nudes... nudes que os machos tanto condenam quando expostos, mas que não vivem sem pedir um. 

Se eu ou você faríamos ou não um vídeo íntimo não é a questão tratada AQUI (devemos sim problematizar o perigo de se fazer vídeos íntimos, nudes etc, contudo, há a situação/momento). O que estou discutindo aqui é o fato de as pessoas usarem de slut-shaming para julgar, reprimir e culpar a mulher que teve vídeo ou foto íntima divulgada sem o seu consentimento por ter "confiado demais", sendo que NADA justifica culpabilizar a vítima. NADA. 

Para essa sociedade hipócrita não importa se a mulher sabia ou não dos riscos de se confiar em um homem ao gravar um vídeo íntimo. Para essa sociedade o que importa é fazer com que a mulher se sinta culpada devido a prática de seu comportamento sexual. Pornografia de vingança é violência de gênero! Basta.


Lizandra Souza.

Vamos falar de misandria?



O que é misandria?
É ódio aos homens?
Misandria mata?
Misandria é opressão de gênero?

NÃO.
N-Ã-O.

"Mas eu vi na wikipédia que misandria é o ódio, preconceito ou desprezo aozomimimi...''. FODA-SE MEU ANJO! 


Misandria pode ser o uso de sarcasmo em discursos, pode ser um tipo de tática de militância feminista que se utiliza de ironia e contradiscurso para evidenciar e refutar discursos machistas e misóginos, pode até ser um meme de internet, mas não uma ideologia de ódio contra homens cis (doravante homens) ou práticas institucionais de violência contra eles somente por serem homens. É absurdo insistir nessa ideia. É absurdamente misógino insistir nessa ideia, porque ela banaliza a misoginia ao equivaler os discursos irônicos e os memes de internet às inúmeras violências que as mulheres cis ou trans (doravante mulheres) sofrem dos homens somente por serem mulheres por conta da misoginia: ódio institucionalizado socialmente pelo gênero feminino ou tudo o que à ele é relacionado.

Na história da humanidade você não tem registro de um sistema de DOMINAÇÃO-EXPLORAÇÃO do homem pela mulher, simplesmente por questões de gênero. Você não encontra fatos que mostrem assimetrias de gênero que beneficiem mulheres e deixem os machos em desvantagem social. Você não tem estatísticas de fatos estruturais de homens sendo estuprados, assassinados, mutilados, espancados, humilhados, subjugados, subordinados, reprimidos e oprimidos por mulheres só pelo fato de haver uma ideologia de ódio institucionalizada socialmente que legitima e naturaliza práticas de violência de GÊNERO contra os pobres omis oprimidos por mulheres misândricas criadas na mentalidade senso comum iuzomista.

Opressão só é opressão (estrutural) porque é constituída de um sistema de dominação-exploração institucionalizado socialmente mantido por relações assimétricas de poder. É o poder mantido historicamente por homens que rege a nossa cultura patriarcal (sexista-machista e misógina) que oprime mulheres. Mas sempre terá aquele macho que dirá que misandria "pode até não ser opressão - enquanto sistema - mas é prejudicial aos homens”.  Ah, sim... Muito prejudicial. 

Sabiam que homens sofrem muito quando nós os inserimos como sujeitos numa frase tipicamente machista? Olhem a agressividade nessa frase: "ELE vai sair com essa roupa curta e ainda reclama quando é estuprado...? Vadio...". Frases como essa (com o sujeito no feminino) são usadas para MANTER o status quo social que culpa a mulher pela violência sofrida, ou seja, o discurso original funciona de modo a perpetuar aquela ideia de que a mulher - vítima - foi a culpada da violência FEITA pelo homem. Porém, é muita sofrência para os homens nós, feministas, misândricas, usarmos esse tipo de sarcasmo e contradiscurso para evidenciar a problematicidade desse discurso voltado para nós, mulheres.

Outro exemplo de misandria: escrever a palavra homem errada de acordo com a ortografia oficial do português brasileiro: ome. OME OME OME OME. Quantos homens foram espancados, estuprados, humilhados, inferiorizados por isso?

Está aqui a quantidade exata: 0.

Atualmente muitos homens também são oprimidos quando são chamados de MACHOS. 

Um minuto de silêncio por eles.




Lizandra Souza.

"Ter opinião não é crime"... Será?




“Ter opinião não é crime”
"Mas é só a mimimi-minha opinião"

E se o que você diz através da expressão da sua opinião fere os direitos humanos?
Sua liberdade de expressão pode te salvar de crimes de ódio ou de discriminação?

 Não.
 N-Ã-O.

Liberdade de expressão (e de opinião), no Brasil, não isenta o indivíduo de responder por crime de ódio, não isenta a pessoa de ser criticada por aquilo que faz apologia, não isenta a pessoa das responsabilidades legais sobre aquilo que diz e que faz (mesmo que a pessoa alegue “desconhecer” a lei - art. 3º do Decreto-Lei 4.657/42.).

Segundo a Constituição Federal (art. 5º) “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. No inciso XLI, do mesmo artigo, há o seguinte: “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”. Logo, concluímos que a sua liberdade de opinião/expressão “termina” quando você usa dela para negar os direitos de outras pessoas ou ainda restringir suas liberdades fundamentais.

Assim sendo, sua opinião não será crime se ela não ferir a dignidade humana, se ela não discriminar e negar direitos humanos fundamentais de outrem. Afinal, “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”, Hannah Arendt.


Lizandra Souza.

Precisamos falar sobre a descriminalização/legalização do aborto


É contra a legalização/descriminalização do aborto porque é ''pró-vida'', mas ignora as mulheres/cis (e as pessoas trans designadas como sendo mulheres quando nasceram) mortas em decorrência de abortos clandestinos e as condições em que a futura criança nascerá e será criada? Sim? Então você não é próvida, é, na verdade, pró-nascimento forçado.



A única coisa que importa aos anti-legalização do aborto é impedir que a pessoa gestante tenha o direito de escolha e de amparo médico-legal e seguro caso decida não ser mãe (ou pai, no caso dos homens trans). O que está em questão não é a vida que nascerá, mas somente o controle sobre o corpo da mulher (ou pessoa gestante) a respeito da concepção e da gestação do feto, o qual, depois de nascido, se pertencer a alguma minoria política e/ou ou classe social desfavorecida deve se "virar" para ser um cidadão "de bem", caso contrário é ''tiro, porrada e bomba'', "pena de morte" etc.



''Mas e a escolha do homem/cis? E se ele quiser ser pai?''.

E falsa simetria?

O ''aborto'' masculino, ou melhor, o abandono paterno, feito pelo homem/cis é legalizado/descriminalizado/institucionalizado/seguro. Por exemplo, tem muito homem/cis por aí que engravida a mulher e diz "se vira, o problema é seu". Resultado: Brasil tem 5,5 milhões de crianças* sem nome do pai no registro de nascimento. O ''aborto'' do homem/cis é configurado pelo abandono, o que é muito pior se levarmos em conta que ele abandona uma vida (vulnerável) já nascida. Não tem nem como comparar aborto com abandono, fiz apenas uma analogia para desenhar esse discurso falso-simétrico que deslegitima a vontade da mulher pela interrupção da gravidez. Homens/cis não morrem ao decidirem que não serão pais. A paternidade não é obrigatória. Por que deverão os homens/cis terem então o controle sobre o corpo das mulheres? 



Homens/cis, abandonam seus filhos, recusam sua paternidade, todos os dias, porém a escolha deles de não serem pais é legalizada. Eles não morrem ao ''abortar'', simbolicamente falando. Eles não têm riscos de ficarem estéreis. Eles não precisam ''abortar'' clandestinamente. Eles são homens/cis. A sociedade dá pontos por isso.



Já o aborto feito pelas mulheres/cis é criminalizado/ilegal/inseguro, resultando em 1 milhão de abortos** clandestinos e 250 mil internações** por complicações por ano, o que torna o aborto clandestino a quinta causa de morte materna no Brasil.



Muitas mulheres/cis (e pessoas trans designadas como sendo mulheres ao nascerem) POBRES*** morrem em ~~açougues~~ ao fazerem abortos clandestinos e inseguros (nem todo aborto clandestino é inseguro, logo gestantes pobres têm chances dobradas de morrerem em clínicas clandestinas/inseguras) em ambientes precários porque não têm dinheiro para pagar por um procedimento ilegal, contudo seguro, que não coloque em risco sua vida e/ou saúde, e ainda tem gente que acha que elas deviam/poderiam ''pagar'' por uma FUTURA vida.

Legalização do aborto não é só uma questão de gênero, mas também de classe e etnia (mulheres negras (e não-brancas no geral) estão mais "vulneráveis" socioeconomicamente) e de saúde pública.

É importante lembrar que ser a favor da DESCRIMINALIZAÇÃO/LEGALIZAÇÃO do aborto não é o mesmo que ser a favor de usar o aborto como um método contraceptivo ou o mesmo que incentivar as mulheres a abortar. Até porque o aborto não é uma contracepção, mas uma solução para a pessoa gestante que não quer ter um filho.

A criminalização do aborto (aborto ilegal/inseguro) NÃO REDUZ o número de abortos.

A descriminalização**** do aborto não reduz e nem aumenta, consideravelmente, o número de abortos, mas REDUZ o número de mulheres/cis (e de pessoas trans gestantes) mortas em consequência de terem tentado fazer um aborto ilegal e inseguro.

Qual prática (a criminalizada ou a descriminalizada/legalizada) salva mais vidas?

A maternidade só é plenamente humana quando resulta de uma escolha consciente e não de uma imposição social e/ou fatalidade biológica.


*http://www.crianca.df.gov.br/noticias/item/2332-brasil-tem-55-milh%C3%B5es-de-crian%C3%A7as-sem-pai-no-registro.html

**https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/5-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-aborto/

***http://noticias.terra.com.br/brasil/com-1-milhao-de-abortos-por-ano-mulheres-pobres-ficam-a-margem-da-lei,0401571f0cd21410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

****Nesse caso, do link, após a legalização do aborto, houve até uma diminuição no número de abortos: http://noticias.terra.com.br/brasil/com-1-milhao-de-abortos-por-ano-mulheres-pobres-ficam-a-margem-da-lei,0401571f0cd21410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html




Lizandra Souza.